Adalbert Heide

Adalbert Heide é um excêntrico missionário alemão que sempre sonhou em conhecer “os índios”. Chegou em Sangradouro em 1957 e começou a filmar com uma câmera de Super 8 em 1967 e desde então não parou de registrar a vida Xavante. Ele prefere mostrar o lado tradicional ritual e mais oficial desta realidade… a não ser quando ele se travestia de Xavante, com peruca e pinturas, e se filmava na caça tradicional junto com os Xavante…!

Hoje ele vive em seu quarto, logo abaixo da torre da igreja, onde passa a maior parte do seu tempo revisitando seus próprios filmes e imagens brutas para refazer novas versões com inserts de coisas novas, sobretudo quando se trata de imagens em alta definição.

Adalberto em sua caminhada diária do quarto ao refeitório. Foto Ernesto de Carvalho
Nicolas e Ernesto acompanhando. Foto Tiago Campos
Adalberto nos mostrando o pátio da escola, ao lado da igreja. Foto Tiago Campos
Adalberto nos mostrando o pátio da escola, ao lado da igreja. Foto Tiago Campos
Um Xavante dançando a dança do sol. Ao invés do sol, Jesus.
Caderno com a lista e informações sobre os filmes de Adalberto. Uma página auto-descritiva do caderno. Foto Amandine Goisbault
Máquinas, máquinas... Foto Amandine Goisbault
Um momento de troca. Tiago ensinando Adalberto a usar um programa de edição profissional. Foto Ernesto de carvalho
Adalberto prefere os filmes que retratam a realidade, como é o caso nos documentários ou "em filmes como os de Bruce Lee", por exemplo. E o Tiago gosta de uma boa estória. Foto Amandine Goisbault
Adalberto nega a afirmação feita por Eike Schmidt, em um filme que fala do Adalberto, que ele teria sido influenciado pelos filmes sobre Winnetou (filme de faroeste alemão rodado na Iugoslávia nos anos 60 com atores brancos fazendo papeis de indios). Mesmo assim ele guarda com muito zelo as cópias dos livros e filmes que sempre mostra para os Xavante. Foto Amandine Goisbault

 

Divino Tserewahu

Divino é um dos primeiros alunos do Vídeo nas Aldeias, ele começou a filmar em 1995, e hoje é professor de vídeo para alunos indígenas pelo Museu Dom Bosco de Campo Grande.
Em seus filmes para o grande público, ele gosta de mostrar a tradição oficial Xavante. Nos filmes mais caseiros, de circulação mais interna entre Xavante e outros povos indígenas, ele mostra um dia a dia mais contemporâneo aberto, tanto para os novos costumes quanto para um jeito de editar mais cheio de efeitos. Em alguns casos, estes novos filmes são o que chama de “clipes emocionantes”.

Divino foi coroinha e disse que poderia ter virado padre, “o Padre Divino”. Como muitos, é funcionário dos padres salesianos e e diz que não fala mal deles. As conversas sobre crença com ele são sempre muito divertidas. Ele é católico e nós tentamos entender a sua crença.

Divino nos contando longas estórias. Foto Amandine Goisbault
Momento de reflexão. Foto Amandine Goisbault
Domingão na aldeia. Foto Tiago Campos
Alexandre, Tiago e Divino numa conversa sobre a chegada dos Xavantes em Sangradouro. Em outro momento Alexandre nos pedia para fazer um filme sobre ele, ao invéz de fazer um sobre Adalberto. Foto Amandine Goisbault
Momento de reflexão. Foto Amandine Goisbault

 

Inscrições abertas para o CurtaDoc

O portal CurtaDoc (www.curtadoc.tv), primeiro catálogo brasileiro de documentários curtas-metragens na Internet, amplia seu acervo para a América Latina.

A partir de agora, realizadores de todo o continente latino-americano podem inscrever gratuitamente suas produções no site e participar de uma seleção para um programa de televisão exibido no Brasil. São aceitos documentários com duração de até 30 minutos, sem restrição de época, temas ou formatos de captação.

 


Os Arquivos Xavantes de Adalbert, de Tiago Campos Tôrres

Os Arquivos Xavantes de Adalbert, de Tiago Campos Tôrres

Produtora: Vídeo nas Aldeias

Sinopse:
Desde 1957, um missionário alemão registrou a vida de uma aldeia Xavante em Super 8 e gravador de rolo. Ele será transferido de volta à Alemanha e afirma que levará seu acervo sem deixar cópias. O cineasta Xavante Divino, que documenta as tradições da mesma aldeia, teme esta possível perda. Frente ao vazio iminente, uma equipe busca resgatar este acervo e suas histórias, num mundo dividido entre “autenticidade” e “modernidade”: que memórias estão escondidas ali? Quem são estes personagens?

Equipe:
Direção: Tiago Campos
Produça executiva: Vincent Carelli
Direção de produção: Amandine Goisbault
Camera: Ernesto Ignacio de Carvalho
Som direto: Nicolas Hallet
Câmera adicional: Vincent Carelli e Tiago Campos
Som direto adicional: Camila Machado
Produção em Olinda: Olivia Sabino
Contabilidade: Renata Mor
Assitente de produção em Sangradouro: Divino Tserewahu
Tradução: Bartolomeu

Os Personagens

Adalberto em uma visita à aldeia, após muito tempo sem ir com um olhar atento à vida fora dos rituais e festivais Xavante. Ficou impressionado com as mudanças, mesmo morando a 1km da aldeia há tanto tempo. foto Amandine Goisbault
Divino saindo do posto de saúde estadual, situado ao lado da Missão. Ele havia ido tomar a sua dose regular de remédio contra pressão alta. foto Tiago Campos
Alexandre e Tiago jogando conversa fora. foto Ernesto de Carvalho
A primeira equipe numa conversa com Domingos (Cacique da outra metade da aldeia) e Vincent Carelli (criador da ONG Video nas Aldeias e produtor executivo deste filme) sobre a influência do vídeo e a chegada do VNA na aldeia, em comparação com a atuação de Adalberto como cineasta no local. Da esquerda para a direita: Domingos, Vincent, Divino, Camila e Amandine. foto Tiago Campos
Divino e Pierina. Pierina não quis dar seus depoimentos na aldeia central e fomos a um cenário emprestado, numa casa mais isolada de uma aldeia periférica. Ela não queria que os outros ficassem “zombando” dela ao ver que estávamos lhe dando atenção. foto Ernesto de Carvalho
Padre Luís Leal, na missão de São Marcos, bem próximo de Sangradouro. Ex diretor geral de Sangradouro, assume a capela de São Marcos há alguns meses. Neste dia gravamos uma conversa bem interessante, filosófica, teológica e antropológica, sobre o por que da catequisação em geral e deste grupo de Xavante em particular. O Pe. Leal é um dos mais antigos nas missões, entre os Salesianos. foto Ernesto de Carvalho
Entrevista com padre Georg na Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande no centro de documentação indígena. Apesar de todos nos falarem que os originais em 16mm do filme encomendado pela inspetoria Salesiana de Campo Grande se encontrarem lá, Pe. Georg diz que nem sabe do que se trata. Nos cedeu um acervo de fotografias muito impressionantes e nos deu sua visão sobre o trabalho do “Mestre Adalberto”, além de mostrar um olhar mais “científico” sobre a imagem e a escrita Xavante. Nicolas – som, Ernesto – câmera, Tiago – curioso, Georg – mostrando as fotos antigas. foto Amandine Goisbault

Sangradouro

Sangradouro, a aldeia e a missão.

A missão de Sangradouro existe há mais de cem anos. Funcionava anteriormente como seminário para os filhos dos fazendeiros locais, mas com a chegada dos Xavante em 1957 passou a ser  dedicado à catequização dos índios. Se transformou numa verdadeira redução, até mesmo com circulação de dinheiro interno próprio, dado aos índios pelos trabalhos realizados na missão, podendo ser trocado por outros bens internos.

Uma missa cotidiana. Vazia. Nas grandes datas católicas a casa costuma ficar mais cheia, como antigamente.

À noite o movimento na aldeia é sempre grande. Sons de amplificadores tocando mp3, televisões e crianças brincando.

Uma noite na missão. Vista do refeitório das “irmãs”.

Alunos vão à escola de manhã bem cedo.

A escola, anteriormente controlada pelos padres, após imposições do governo brasileiro, é dirigida pelos Xavante graduados.

O começo

Bem,

era previsto que fizéssemos este blog enquanto filmávamos, mas com a quantidade de trabalho e de imprevistos, acabamos de filmar e começamos a postar agora. Então, retroativamente, vamos relembrando as histórias que ficaram e reinventando as que sumiram.

Foram duas viagens: uma primeira para selar um acordo com Adalberto e com os Xavantes sobre a feitura do filme. Umas primeiras prosas se fizeram também. E a segunda, para uma imersão naquele universo.

Para simplificar um pouco, fizemos um levantamento de fotografias que descrevem um pouco o clima, o cenário e o making off. Não nos prenderemos à cronologia dos fatos, mas a agrupamentos simples de fotos.

Aqui vão alguns flashes das janelas por onde passamos.  Não esperamos contar algo que faça sentido com o que esperamos do filme, nem nada. Apenas compartilhamos um pouco do que vimos.

Espero que gostem.

No Mato Grosso, a caminho de Sangradouro, a paisagem se repete.

Entre um mar de milho e soja viajamos. Pouca gente na estrada, para não dizer ninguém.

 

 

Estreia Uma Longa Viagem

No dia 11 de maio, estreia o documentário Uma Longa Viagem, de Lucia Murat. O documentário revela a história de três irmãos, tendo como fio condutor a trajetória do mais novo, que viaja para Londres em 1969, enviado pela família para que não participasse da luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã, que acabou tornando-se presa política.

Pré-entrevistas – Parte 1

Nos meses de março e abril trabalhamos muito na pesquisa e gravamos várias pré-entrevistas com diferentes pessoas, em busca de histórias de aniversário legais.

Conheça alguns de nossos personagens entrevistados em março:

Julia Barth discotecando no seu aniversário

Júlia Barth comemorou 30 anos, no dia 30 de março, no Bar Ocidente. Desde criança, ela comemorava seus aniversários no bar de seu pai. Primeiro, em matinês, com crianças se divertindo por poderem entrar em um bar. Mais tarde, as festas foram se tornando noturnas, com direto a shows da banda que Júlia participava. Nesse ano, foi a primeira vez que Júlia comemorou seu aniversário já sendo mãe. Em cada festa, algo diferente para comemorar e lembrar.

Dione Araújo nos recebeu em casa

Dione Araújo: essa simpática senhora de 66 anos, completados em 13 de abril, sempre fez questão de comemorar os aniversários de seus filhos. Isso porque na infância os seus aniversários não eram comemorados. Hoje, todos os aniversários da família ganham festa, muitas vezes com desdobramentos cômicos e divertidos.

Teté Furtado numa sala de aula de seu estúdio de dança

Teté Furtado: a bailarina comemorará 35 anos, em 30 de maio. Quando a mãe de Teté estava grávida, descobriu que tinha rubéola. Muitos médicos indicavam o aborto, pois naquela época era o mais recomendado nesta situação. Sua mãe, entretanto, resistiu aos conselhos e teve sua filha com sucesso. Talvez por isso, Teté sente que seu nascimento, assim como seus primeiros aniversários, foram comemorados com muita alegria.

Siga nos acompanhando. Em breve, você conhecerá os personagens entrevistados em abril.

Tem uma história para nos contar? Escreva para 50aniversarios@gmail.com

Estreia Paralelo 10

Paralelo 10, o novo documentário de Silvio Da-Rain, documenta a viagem feita por José Carlos Meirelles e Terri Aquino a uma região pouco conhecida do Brasil, Paralelo 10 Sul, no Acre, quase na fronteira com o Peru, região amazônica. Estreia prevista para 4 de maio.